Quem trabalha com fundação na região do Vale do Sinos sabe: a geologia de Novo Hamburgo não entrega nada de bandeja. A cidade está espremida entre os altos do relevo vulcânico da Serra Geral ao norte e as planícies aluvionares do Rio dos Sinos ao sul — com espessas camadas de argila mole e sedimentos quaternários que mudam completamente as regras do jogo a cada quadra. Quando a sondagem SPT encontra impenetrável cedo demais ou a suspeita de rocha sã some no meio do perfil, a gente já entra com a resistividade elétrica para entender a estratigrafia profunda sem furar à toa. Mapear o topo rochoso com precisão em Novo Hamburgo evita surpresas caras durante a cravação de estacas, e o SEV é o método que a gente usa para ver o que está abaixo dos 30 metros sem mobilizar perfuratriz.
Em Novo Hamburgo, o contraste de resistividade entre o basalto são e os sedimentos saturados chega a 100:1 — uma assinatura geofísica que reduz a ambiguidade da interpretação.
Abordagem e escopo
Fatores do terreno local
Teve um caso em um galpão industrial na região do bairro Canudos, perto da RS-239, onde a sondagem SPT bateu impenetrável aos 12 metros e o projetista assumiu rocha sã. Mas o SEV mostrou que a resistividade abaixo dos 15 metros caía drasticamente — o impenetrável era um matacão isolado de basalto flutuando sobre uma camada espessa de argila mole saturada. Se a obra tivesse ido adiante com estacas curtas apoiadas nesse falso topo rochoso, o recalque diferencial teria trincado o piso em menos de dois anos. Em Novo Hamburgo, a alternância entre colúvios com blocos de basalto e aluviões moles do Sinos cria armadilhas geotécnicas que só uma investigação geofísica calibrada consegue desmontar. A ausência de um perfil de resistividade antes do projeto de fundação é o tipo de economia que sai caro.
Vídeo explicativo
Marco normativo
ABNT NBR 15935:2011 — Investigações ambientais — Aplicação de métodos geofísicos, ABNT NBR 6484:2020 — Sondagens de simples reconhecimento com SPT — procedimento, ABNT NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundações
Outros serviços relacionados
Sondagem Elétrica Vertical (SEV)
Arranjo Schlumberger com aberturas AB/2 de até 200 m para mapear a profundidade do topo rochoso e a estratificação geoelétrica em projetos de fundação profunda e túneis.
Caminhamento Elétrico 2D
Perfis de resistividade com arranjo Wenner-Schlumberger para detectar zonas de fraturamento, cavidades e variações laterais de subsuperfície em terrenos urbanos de Novo Hamburgo.
Mapeamento de Contaminação de Aquíferos
Identificação de plumas condutivas em aquíferos rasos do Vale do Sinos, correlacionando baixas resistividades com presença de contaminantes inorgânicos dissolvidos.
Parâmetros típicos
Perguntas comuns
Qual a diferença entre SEV e caminhamento elétrico para investigação geotécnica em Novo Hamburgo?
A SEV investiga a variação vertical da resistividade elétrica em um único ponto, ideal para determinar a profundidade do embasamento rochoso e a espessura de camadas sedimentares. O caminhamento elétrico 2D mede a variação lateral ao longo de uma linha, sendo mais indicado para detectar zonas de fraturamento, cavidades e contatos geológicos verticais. Em Novo Hamburgo, costumamos usar a SEV para projetos de fundação e o caminhamento para obras lineares ou para localizar fraturas produtivas no basalto.
Quanto custa aproximadamente uma campanha de SEV em Novo Hamburgo?
Para uma campanha típica de SEV em Novo Hamburgo, com três a cinco pontos de sondagem e aberturas AB/2 de até 150 m, o investimento fica na faixa de R$1.560 a R$2.420, considerando mobilização de equipe, aquisição dos dados e relatório técnico com inversão 1D. Campanhas maiores ou com exigências específicas de processamento podem ter valor ajustado conforme o escopo.
A resistividade elétrica consegue diferenciar basalto são de basalto fraturado em Novo Hamburgo?
Sim, e essa é uma das principais aplicações do método na região. O basalto são da Formação Serra Geral apresenta resistividades elevadas, tipicamente acima de 300 Ω·m, enquanto o basalto fraturado e saturado mostra valores abaixo de 80 Ω·m devido à circulação de água nos planos de fratura. A curva do SEV capta essa queda de resistividade com clareza, permitindo estimar a espessura da zona fraturada — informação crítica para definir a cota de assentamento de estacas.
